De 1886 a 1917


Nasce a 28 de Janeiro de 1886 na freguesia da Glória, em Aveiro.

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Cedo passa a viver em Alquerubim na companhia da Mãe e onde conclui a instrução primária.

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Frequenta o liceu de Aveiro, onde é acolhido pelo Padre Jorge de Pinho Vinagre, muito amigo da Família.

Pouco interessado pelos estudos e "... porque dele se esperavam mais altos voos... (conforme ele próprio diz em Mensagem Mensagem, Boletim Informativo da freguesia de Alquerubim), é internado no seminário dos Carvalhos.

Ainda nas suas palavras: ... ali, desabituado como ia, do contacto com os livros, lá fui satisfazendo, conforme pude, as exigências dos professores, e chegaria ao fim se, com a idade não surgisse um problema capital: reconheci que não tinha vocação para a vida eclesiástica. Creio que foi a melhor decisão da minha vida, o abandono da carreira por reconhecer falta de aptidão para ela, que considero de todas as carreiras a mais melindrosa que a um homem é dado abraçar... nunca tomei encargo de ocupação quando não sentia forças para a cumprir. Por isso abandonei o Seminário".

Regressa a Aveiro para concluir habilitações de ingresso na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A Mãe, Mulher de grande tenacidade, sempre acalentara a ideia de ver o seu filho formado. Sem recursos financeiros, aluga casa em Coimbra em que passa a receber hóspedes estudantes. O filho, por seu lado, ajudava à economia doméstica tocando violino.

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Ele conta: "De tudo o que estudei em rapaz, o que mais me agradava era a música e, ao passo que as matérias da escola me eram impostas pela obrigação (e era, talvez por isso que eu as detestava sendo, consequentemente, um mau estudante), a música, que por mero acidente da vida, entrou no activo das minhas ocupações, não precisou do imperativo da disciplina escolar e doméstica para que eu a cultivasse como o mais agradável dos meus passatempos. Tinha eu cerca de 15 anos, um percalço num pé impedia-me de me calçar e caminhar, determinando a perda de um ano, porque tive de ficar em casa durante alguns meses. Paroquiava a freguesia de Alquerubim o Padre Narciso da Silva Nunes, que tinha uma bela voz de tenor e sabia música. Notou ele em mim gosto pela música e vontade para aprender oferecendo-se para me ensinar. E, assim, ia eu todos os dias à Residência, sobraçando o livro de solfejo e claudicando da minha perna doente. O estudo era pela forma que melhor quadrava a quem, como eu, não possuía um instrumento e que ainda não pensara em qual havia um dia de aplicar os meus conhecimentos musicais: eram vocalmente as notas entoadas em dueto, o professor cantando a segunda voz, acompanhando a primeira, que eu, na minha fraca sonoridade, lá conseguia entoar. Isto me valeu de muito, mais tarde, no estudo do violino, quando me decidi por este instrumento. Em boa hora aceitei a oferta do Padre Narciso, que me iniciou na cultura da música e, em boa hora me dediquei ao violino que mais tarde se me havia de tornar companheiro inseparável na conquista do pão durante a minha formatura em Direito".

A prática do violino foi um hábito que cultivou durante muitos anos, acompanhado ao piano por minha mãe. É uma das poucas recordações da minha infância que deles conservo.

Entre 1912 e 1913 dirigiu dois jornais do concelho de Albergaria-a-Velha: " O concelho de Albergaria" e "Progresso de Alquerubim"
De 1915 a 1917 colaborou no jornal "Democracia do Vouga".